Dúvidas Frequentes
P: Qual é a importância cultural e histórica do Cemitério dos Ingleses?
R: O Cemitério dos Ingleses da Bahia - CIB tem relevância histórica e arquitetônica como uma típica construção de influência anglicana, o primeiro cemitério para enterramentos não-católicos na Bahia e um dos primeiros cemitérios ao ar livre construídos no Brasil. A história da presença inglesa na Bahia e do Cemitério dos Ingleses faz parte de contextos mais amplos – político, social, artístico e cultural – principalmente a partir da abertura dos portos em 1808 e durante a fase chamada “das grandes obras” (1820 a 1920), caracterizada por transformações fundamentais para o desenvolvimento da Cidade do Salvador. O cemitério também contem túmulos de valor artístico e histórico.
P: Por que o governo do estado da Bahia deveria gastar o dinheiro de impostos públicos para restaurar um bem estrangeiro e sobretudo um cemitério, quando deveria estar aplicando esta verba a projetos mais necessitados?
R: Muitos brasileiros, descendentes de ingleses, norte-americanos e judeus de várias nacionalidades, têm parentes enterrados no Cemitério dos Ingleses. 
De outro lado, o Cemitério dos Ingleses representa uma época de 
intensas transformações e influências estrangeiras no estado da Bahia. Transformações que passam por hábitos, política  e comércio e vão até questões urbanas e logísticas. Por exemplo -  você sabia que a primeira ferrovia baiana foi construida pelos ingleses, muitos dos quais morreram aqui de febre amarela e foram enterrados no cemitério na Ladeira da Barra e em Montserrat?
O Governo do Estado da Bahia reconhece isto como parte da História da nossa terra e como um bem a ser resgatado e preservado, como qualquer outro bem sócio-cultural integrado em nosso Estado, tanto que esse investimento acontece aqui mesmo dentro da Bahia, voltado para os soteropolitanos, baianos, brasileiros e outras pessoas de quaisquer outras nações. 
P: Existem outros cemitérios dos ingleses no Brasil?
R: Segundo Gilberto Freyre (Ingleses no Brasil), depois da abertura dos portos, os ingleses estabeleceram pelo menos 6 cemitérios neste país - em Belém, São Luís, Recife, Bahia, Rio de Janeiro e nas minas de Gongo Soco (agora Barão de Cocais - MG). Entretanto, hoje só existem três - no Recife, na Bahia e no Rio de Janeiro. Este último é o mais antigo, estabelecido em 1811. As ruínas de outros cemitérios dos ingleses ainda permanecem, mas geralmente são localizadas em locais isolados de difícil acesso.
P: Por que foi criado o Cemitério dos Ingleses na Bahia?
R: O CIB foi construído no início do século XIX, provávelmente em 1814. Na época, quase todos os enterros de pessoas livres eram realizados em igrejas católicas. Padres católicos não realizavam casamentos ou enterros para protestantes. Portanto, os anglicanos precisavam de um espaço para sepultar seus mortos.
P: Só tem ingleses enterrados no Cemitério dos Ingleses da Bahia?
R: Não. A lista de enterramentos também inclui cônjuges e filhos brasileiros de ingleses, judeus de várias nacionalidades, norte-americanos e outros estrangeiros. Um oficial da marinha japonesa suicidou-se a bordo de um cruzeiro inglês e foi enterrado no CIB em 1869. Infelizmente, o local de sua sepultura não foi encontrado quando seus conterrâneos chegaram para homenageá-lo.
P: Por que tem escoceses enterrados no Cemitério dos Ingleses? 
R: Na língua portuguesa, o termo "inglês" geralmente é sinônomo de "britânico", mas isto pode causar confusão. O nome do cemitério em inglês é "British Cemetery", ou "Cemitério Britânico". A Grã-Bretanha inclui a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales. O Reino Unido também inclui Irlanda do Norte. Todos seus cidadãos são britânicos, ou seja, "ingleses".
P: Por que construíram um cemitério numa área nobre da cidade do Salvador?
R: Quando foi construído no início do século XIX, o CIB ficava longe do centro da cidade. Agora faz parte de um corredor histórico e cultural que inclui Forte de São Diogo, a Igreja de Santo Antonio da Barra e os casarões do Corredor da Vitória - muitos deles as antigas residências de comerciantes ingleses. Em meados do século XIX, o reverendo anglicano  Edward Parker, que também era empreiteiro, construiu uma igreja anglicana no Campo Grande, urbanizou uma boa parte da área de Campo Grande e construiu a Ladeira da Barra com o traçado que conhecemos hoje, vindo a substituir o antigo e íngreme acesso entre o Porto da Barra e imediações.
P: Tem alguém importante enterrado no CIB?
R: Várias pessoas ilustres foram sepultadas no cemitério, entre elas, John Ligertwood Paterson, um dos fundadores da Escola Tropicalista Baiana, e Edward Pellew Wilson, fundador da empresa de navegação Wilson, Sons, e um dos primeiros moradores – talvez o primeiro – do casarão no Campo Grande que se tornou a morada dos Cardeais e Arcebispos Primazes do Brasil. A lista de enterrados também inclui ex-consules britânicos e norte-americanos.
P: Por que os nomes de meus parentes não se encontram na relação de enterrados publicada neste site?
R: Há quase 500 pessoas sepultadas no Cemitério dos Ingleses na Bahia. Nosso intuito em publicar uma lista parcial foi dar uma amostra do trabalho de pesquisa a ser feita. Em breve, iniciaremos um cadastro de parentes de pessoas enterradas no CIB para que possamos manter contato e, futuramente, realizar uma troca de informações.
P: O cemitério está desativado?
R: Nunca foi oficialmente desativado. O último sepultamento foi realizado em 1999, mas o cemitério ainda poderá ser utilizado para futuros enterros quando o projeto de restauro estiver finalizado.
P: Por que não derrubam o muro externo do CIB para que possa ser visto da rua?
R: Primeiro, porque é fundamental manter as características arquitetônicas originais. Outrossim, tem várias placas embutidas no muro, instaladas em memória de pessoas não enterradas no cemitério, como os “cavalheiros ingleses” que morreram de febre amarela durante a construção da ferrovia chamada “Bahia and San Francisco Railway”. Também tem vários túmulos encostados e apoiados no muro.
 Acesse nosso blog para ler notícias do projeto de pesquisa "O Cemitério dos Ingleses e a Presença Britânica na Bahia"



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